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sexta-feira, 7 de maio de 2010

DIA DAS MÃES

"MINHA MAIS BELA INVENÇÃO É A MINHA MÃE"


Minha mais bela invenção, diz DEUS é Minha Mãe
Sentia falta dela e então a fiz
Fiz Minha Mãe antes que ela me fizesse
Era mais garantido...
Estava sentindo falta dele.

Minha Mãe, o nome dela é MARIA, diz DEUS
Sua alma é toda pura e cheia de graça.
No seu corpo, mora nele uma luz tão radiosa
que na terra não me cansei jamais de fitá-la, ouví-la, admirando-a.

É linda, Minha Mãe, tão bela que deixando os esplendores do Céu,
diz DEUS, eu sei o que é ser carregado pelos anjos e, pois bem,
não valem de longe os braços de uma mãe, podem crer.

Minha Mãe, Maria um belo dia morreu, diz DEUS
Desde o dia que subi aos Céus sentia falta dela - e ela de mim.
Ela veio até mim com a alma, com o corpo, diretamente.
Eu não podia fazer de outra maneira.
Era um dever. Era mais conveniente.

Os dedos que tocaram em DEUS não podiam imobilizar-se
Os olhos que contemplaram DEUS não poderiam ficar cerrados
Os lábios que Beijaram DEUS nãp podiam enregelar-se
Este corpo puríssimo que dera corpo a DEUS
não podia apodrecer, misturado com a terra...

Não, eu não pude, não era possível, ter-me-ia custado demais.
Por mais que eu seja DEUS, su sou seu filho, e quem manda sou eu.

E além disso, diz DEUS, foi também para meus irmãos, os homens que eu fiz isso.
Para que eles também tenham Mãe lá no Céu.
Mãe de verdade, igual a eles, corpo e alma.
Agora, pronto! Está comigo desde o instante da morte.
A Mãe encontrou o Filho e o Filho encontrou a Mãe
Um bem ao lado do outro, eternamente.
Se os homens adivinhassem a beleza deste Mistério!
Fazia já muito tempo que o homem pressentia este grande mistério de meua mor filial e fraterno...

E agora que o aproveitem, mais ainda, diz DEUS
Tem no Céu Mãe que os acompanha
com os olhos , com seus olhos do coração
Tem no Céu Mãe que os ama de todo coração
E esta Mãe é a minha que me olha com os mesmos olhos,
que ama com o mesmo coração.

Se os homens fossem espertos, bem o aproveitariam.
Deviam imaginar que a ela nada posso recusar...
Que querem que eu faça? É Minha Mãe. Assim o quis. Agora não me queixo.
Um diante do outro, corpo e alma,
Mãe e Filho.
Eternamente Mãe e Filho.

M. QUOIST no Livro Poemas para Rezar


Parabéns pelo DIA DAS MÃES
Que seria de nós filhos, sem vocês?
Depois de nove meses carregando o filho,
Chegam as alegrias, as preocupações, etc e tal.
Mas quando crescemos sabemos que em qualquer momento
teremos aquele colo e ombro compreensivos para aliviar a nossa dor.Sabemos também que teremos SEMPRE aquele coração enorme para dar-nos coragem, força, compreensão...
Vocês são tão MARAVILHOSAS E IMPORTANTES que até DEUS, na sua Infinita Sabedoria precisou criar a sua.
Parabéns!!!!!
Louise Anne

quarta-feira, 17 de março de 2010

A Alegria na Tristeza



O título desse texto na verdade não é meu, e sim de um poema do uruguaio Mario Benedetti. No original, chama-se "Alegría de la tristeza" e está no livro "La vida ese paréntesis" que, até onde sei, permanece inédito no Brasil.



O poema diz que a gente pode entristecer-se por vários motivos ou por nenhum motivo aparente, a tristeza pode ser por nós mesmos ou pelas dores do mundo, pode advir de uma palavra ou de um gesto, mas que ela sempre aparece e devemos nos aprontar para recebê-la, porque existe uma alegria inesperada na tristeza, que vem do fato de ainda conseguirmos senti-la.



Pode parecer confuso mas é um alento. Olhe para o lado: estamos vivendo numa era em que pessoas matam em briga de trânsito, matam por um boné, matam para se divertir. Além disso, as pessoas estão sem dinheiro. Quem tem emprego, segura. Quem não tem, procura. Os que possuem um amor desconfiam até da própria sombra, já que há muita oferta de sexo no mercado. E a gente corre pra caramba, é escravo do relógio, não consegue mais ficar deitado numa rede, lendo um livro, ouvindo música. Há tanta coisa pra fazer que resta pouco tempo pra sentir.



Por isso, qualquer sentimento é bem-vindo, mesmo que não seja uma euforia, um gozo, um entusiasmo, mesmo que seja uma melancolia. Sentir é um verbo que se conjuga para dentro, ao contrário do fazer, que é conjugado pra fora.



Sentir alimenta, sentir ensina, sentir aquieta. Fazer é muito barulhento.



Sentir é um retiro, fazer é uma festa. O sentir não pode ser escutado, apenas auscultado. Sentir e fazer, ambos são necessários, mas só o fazer rende grana, contatos, diplomas, convites, aquisições. Até parece que sentir não serve para subir na vida.



Uma pessoa triste é evitada. Não cabe no mundo da propaganda dos cremes dentais, dos pagodes, dos carnavais. Tristeza parece praga, lepra, doença contagiosa, um estacionamento proibido. Ok, tristeza não faz realmente bem pra saúde, mas a introspecção é um recuo providencial, pois é quando silenciamos que melhor conversamos com nossos botões. E dessa conversa sai luz, lições, sinais, e a tristeza acaba saindo também, dando espaço para uma alegria nova e revitalizada. Triste é não sentir nada.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Baleia ou Sereia?


Ontem vi um outdoor da Runner, com a foto de uma moça de biquíni e a frase:
“Neste verão, qual você quer ser? Sereia ou Baleia?”

Respondo:

Baleias sempre estão cercadas de amigos.
Baleias têm vida sexual ativa, engravidam e têm filhotinhos fofos.
Baleias amamentam. Baleias nadam por aí, singrando os mares e conhecendo lugares legais como as banquisas de gelo da Antártida e os recifes de coral da Polinésia.
Baleias têm amigos golfinhos. Baleias comem camarão à beça.
Baleias esguicham água e brincam muito. Baleias cantam muito bem e têm até CDs gravados.
Baleias são enormes e quase não têm predadores naturais. Baleias são lindas e amadas.

Sereias não existem.
Se existissem viveriam em crise existencial:
“Sou um peixe ou um ser humano?”

Runner, querida, prefiro ser baleia !

(desconheço a autoria)
Fábula da Verdade


Um dia, a Verdade andava visitando os homens sem roupas e sem adornos, tão
nua como o seu nome.E todos que a viam viravam-lhe as costas de vergonha
ou de medo e ninguém lhe dava as boas vindas.
Assim, a Verdade percorria os confins da Terra, rejeitada e desprezada.

Uma tarde, muito desconsolada e triste, encontrou a Parábola, que passeava alegremente, num traje belo e muito colorido.
- Verdade, por que estás tão abatida? – perguntou a Parábola.
- Porque devo ser muito feia já que os homens me evitam tanto!
- Que disparate! – riu a Parábola – não é por isso que os homens te evitam.
Toma, veste algumas das minhas roupas e vê o que acontece.

Então a Verdade pôs algumas das lindas vestes da Parábola e, de repente,
por toda à parte onde passa era bem-vinda.
- Pois os homens não gostam de encarar a Verdade nua; eles a preferem disfarçada.

(Conto Judaico)

Quem és?



Uma mulher estava agonizando. Logo teve a sensação que era levada ao céu e se apresentava ante o Tribunal.

- Quem és? – disse uma voz.

- Sou a mulher de Antonio – respondeu ela.

- Te perguntei quem és, não com quem estás casada.

- Sou mãe de quatro filhos.

- Te perguntei quem és, não quantos filhos tens.

- Sou uma professora de escola.

- Te perguntei quem és, não qual tua profissão.

E assim sucessivamente. Respondesse o que respondesse, não parecia poder dar uma resposta satisfatória à pergunta: “Quem és?”

- Sou uma cristã.

- Te perguntei quem és, não qual tua religião.

- Sou uma pessoa que ia todos os dias à igreja e ajudava aos pobres e necessitados.

- Te perguntei quem és, não o que fazias.

Evidentemente, não conseguiu passar no exame e foi enviada de novo à terra.

Quando se recuperou de sua enfermidade, tomou a determinação de averiguar quem era e partiu para o auto-conhecimento.

E tudo foi diferente.

Tua obrigação é SER. Não ser um personagem, nem ser um dono de nada, porque ai há muito de cobiça e ambição, nem saber muito disto ou daquilo, porque isso condiciona muito – simplesmente SER

Quem és? Você saberia responder a esta pergunta??

.

Autor: Anthony de Melo
Escutatória
Rubem Alves




Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória.
Todo mundo quer aprender a falar, ninguém quer aprender a ouvir.
Pensei em oferecer um curso de escutatória, mas acho que ninguém vai se matricular.

Escutar é complicado e sutil.
Diz Alberto Caeiro que “não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma”.

Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Para se ver, é preciso que a cabeça esteja vazia.

Parafraseio o Alberto Caeiro:
“Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito; é preciso também que haja silêncio dentro da alma”.

Daí a dificuldade: a gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor.

Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos…

Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos estimulado pela revolução de 64.
Contou-me de sua experiência com os índios: reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio.
(Os pianistas, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio, [...]. Abrindo vazios de silêncio. Expulsando todas as idéias estranhas.).

Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio.

Falar logo em seguida seria um grande desrespeito, pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que ele julgava essenciais.
São-me estranhos. É preciso tempo para entender o que o outro falou.

Se eu falar logo a seguir, são duas as possibilidades.
Primeira: “Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado”.

Segunda: “Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou”.

Em ambos os casos, estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada.

O longo silêncio quer dizer: “Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou”. E assim vai a reunião.
Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos.
E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia.

Eu comecei a ouvir.

Fernando Pessoa conhecia a experiência, e se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras.

A música acontece no silêncio. A alma é uma catedral submersa. No fundo do mar – quem faz mergulho sabe – a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia, que de tão linda nos faz chorar.

Para mim, Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também.

Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto

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Sou sensível, educada, simples, chique, introvertida,e ... quem me conhece sabe.